quarta-feira, 23 de julho de 2014

Freedom!!!

Olá pessoal! O objetivo dessa página é compartilhar com vocês um pouco da vida de um casal que se propôs a ser uma família de só um casal, e a se aventurar por aí! Mas nesse primeiro post decidi falar um pouquinho de mim, e de um insight que tive recentemente e me fez reforçar a ideia da página, dos objetivos de vida, e de quem realmente sou! Calma que eu explico... Alguns amigos mais próximos sabem que recentemente tomei a decisão de abandonar minha profissão (nutricionista) por n motivos: desilusão, falta de identificação, saco cheio, falta de perspectiva, estagnação e porque eu acho um saco mesmo! Pois bem, junto com essa decisão eu cheguei à conclusão de que estando na terra do funcionalismo público minha melhor chance era estudar, passar em um bom concurso e, com estabilidade e um bom salário, pensar em outras formas de me realizar. E assim começou essa fantástica jornada dentro de mim que agora vos descrevo... Foram 5 meses de dedicação aos estudos, porém, dentro de casa. Não fiz cursinho, não fui a bibliotecas, estudei aqui, nessa cadeira confortável na qual estou. Ela testemunhou meu esforço, minha angústia, meus devaneios, meu desejo de ganhar na mega sena e não precisar de nada disso... mas também testemunhou os frutos disso tudo: 6 provas, 4 aprovações! Eu até esperava 1, mas 4 foi bem melhor!!! De repente quem não tinha nada agora pode escolher! Mas essa é, de longe, a menor transformação que essa escolha me deu! Nesses 5 meses como eu disse, eu fiquei em casa. Eu e a casa. Eu, meus pensamentos, e a poeira da casa. Eu, meus desejos, e o varal da casa. Eu, minha fome, e o fogão da casa. E de repente eu era algo que nunca imaginei ser: dona de casa! Pra algumas pessoas, essas palavras dão arrepios. Para outras, saltam aos olhos de alegria. Pra mim, era o desconhecido: eu até sabia que isso existia, mas nunca tinha encaixado na minha vida! Vejam bem, quem me conhece sabe que não sou dondoca, já morei sozinha algumas vezes e sei muito bem cuidar de uma casa, mas nunca tinha feito isso exclusivamente... Num primeiro momento foi até interessante: descobrir como dá trabalho, aprender alguns truques pra otimizar o tempo, aproveitar a própria comida! Delícia! Depois virou obsessão: não podia ver a cadeira milimetricamente fora do lugar, ou um copo sujo na pia, ou um armário bagunçado! Organizada como sou, a fuga desse padrão começou a me enlouquecer (e ao meu marido também, coitadinho... rs!). Aí vieram as primeiras aprovações nos concursos, e comecei a vislumbrar concretamente um futuro diferente... a casa continuava arrumada, impecavelmente limpa, e eu, imensamente cansada! Foi quando comecei a me questionar nesse papel e concluí que definitivamente eu não sou dona de casa! E que não precisava sofrer por isso! Eu me culpava por às vezes não ter dado conta de lavar toda a roupa, ou de não ter feito jantar e pedir pizza, ou de não querer lavar o banheiro naquele dia. A verdade é que eu achava que gostava de cozinhar, e hoje sei que só aos finais de semana isso me apetece! Eu achava que lavar banheiro era minha parte favorita na arrumação da casa, mas só quando era 1 vez ao mês, dividido entre os colegas de república! Eu achava que gostava de manter os armários organizados, mas isso se restringe somente à minha parte do guarda roupa! Meu resquício de machismo-tradicionalismo-de-família-do-interior-de-Minas me faziam sentir culpada por algo que sequer é minha obrigação. E viva a diarista! Porque o tempo tem que ser gasto com tudo o que te faz bem! E as obrigações devem ocupar um lugar menor, se não te fazem tão bem... sei que essa minha condição é temporária, mas foi um passo importante nesse processo contínuo e eterno que é a auto descoberta! Mas agora deixa eu ir ali porque tem roupa limpa na máquina pra eu estender...